CRESCIMENTO

CRESCIMENTO - TEMA 1

A fé cresce em quantidade, não em qualidade. O crescimento está na constância da dependência de Deus.

Marta havia finalmente saído da cozinha! Aprendera por si mesma o que representava sentar-se aos pés de Jesus com Maria. Ela cria que Jesus era o Messias, o Salvador do mundo, o Enviado de Deus. Cria que tudo o que Ele rogasse ao Pai seria obtido. Aceitara a Sua reivindicação de ser a Ressurreição e a Vida. Mas quando os olhos de todas aquelas pessoas se fixaram na silente tumba e Jesus pediu que a pedra fosse removida, a fé de Marta vacilou. Vacilante Marta!
Abraão era o amigo especial de Deus. Ele havia deixado seu lar e seu país para tornar-se nômade, seguindo a Voz interior que dirigia os seus caminhos. As objeções de sua família e amigos não o desviaram de sua decisão. Quando Deus lhe prometeu um filho, um herdeiro, para ser o pai de uma grande multidão, ele se regozijara. Mas uma coisa ele jamais esperava: não sabia que levaria tanto tempo. A espera provou-se muito grande. Ele acabou sendo o pai de duas multidões, cada uma guerreando contra a outra até nosso tempo. Vacilante Abraão!
Moisés foi um profeta, e mais do que um profeta. Ele havia falado com Deus face a face. Por quarenta anos havia conduzido um povo rebelde e teimoso através do deserto, suprindo suas várias necessidades. Havia-os defendido como o próprio Deus, recusando concordar com a destruição deles, mesmo quando por demais merecida. Contudo, sua fé falhou quando estava bem à beira da Terra da Promessa, e pecou tão pública e inegavelmente que Deus não teve escolha, senão negar-lhe o privilégio de concluir a obra que havia iniciado. Vacilante Moisés!
O clube dos vacilantes tem muitos membros! Davi, Sansão, Adão, Paulo, Ezequias, Pedro, Jacó. A lista podia ir longe. A história sagrada registra somente umas poucas exceções: Enoque, Eliseu, Daniel. Não mais do que estes.
Um estudo dos relatos bíblicos prova que, embora seja possível a inquebrantável confiança em Deus e dependência dEle, é possível vacilar. Para muitos cristãos, a realidade tem sido experimentar submissão vacilante. A realidade tem demonstrado que leva tempo aprender a depender sempre de Deus, e nunca de nós mesmos. E, conquanto o alvo de Deus para nós seja sempre confiar nEle, é melhor admitir e reconhecer a realidade de que, na maioria dos casos, não alcançamos tal alvo da noite para o dia.
Crescimento na vida cristã é aprender a depender mais e mais de Deus. Como fizemos observar anteriormente, a dependência de Deus é uma proposição de tudo ou nada. Não existe confiança parcial ou submissão parcial. Você está sujeito a Deus, em um dado momento, ou não Lhe está sujeito; e, sim, dependendo de você mesmo.
Permanecemos em Cristo dia após dia mediante um relacionamento dinâmico com Ele.
"Perguntais: 'Como permanecerei em Cristo?' Do mesmo modo em que O recebestes a princípio. 'Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nEle.' Col. 2:6." – Caminho a Cristo, pág. 69.
Uma vez que dependamos dEle, experimentaremos toda a vitória e obediência que Ele tem para oferecer.
Mas às vezes o inimigo pode levar-nos a desviar os olhos de Cristo e cessar, por um momento, de depender dEle. Então cairemos, e fracassaremos, e pecaremos. Isso aconteceu com muitos na Bíblia; e acontece com muitos hoje. Quando isso tem lugar, nossa parte é volver-nos a Jesus outra vez, reivindicando novamente Sua promessa: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça." I S. João 1:9. E continuarmos o relacionamento com Ele. Não esperamos duas semanas para Deus "esfriar". Não desistimos e concluímos que jamais conseguiremos chegar à pátria celestial. Não tentamos consertar as coisas por nossa própria força e então voltar para Ele. Voltamos para Ele imediatamente, confessando nosso pecado e nossa necessidade dEle. Mediante tudo isso, o relacionamento com Deus continua.
O crescimento na vida cristã tem lugar quando continuamos a viver pela fé nEle, a buscar comunhão com Ele dia após dia. Pois ao irmos a Cristo dia a dia, Ele operará em nós para trazer-nos à situação de contínua dependência dEle.

CRESCIMENTO - TEMA 2
Você não cresce tentando crescer.

Meu alvo era ter 1,95m de altura. Mas a coisa não estava indo muito bem – tinha alcançado apenas 1,20m! Mais tarde, quando eu tinha que ficar em pé na fileira da frente com as garotas da oitava série, para a fotografia da classe, aquilo já passava dos limites do suportável para um menino! Um dia, pareceu ter chegado o tempo de tentar tomar alguma medida concreta.
Fui até a cozinha, fiquei em pé em frente à porta tendo à mão uma régua, sobre a cabeça; e fiz uma marca. Daí, fui para o fundo do quintal e dependurei-me no suporte do varal até onde pude suportar. Depois corri de volta até a porta e medi novamente. Que decepção! Não havia melhorado nada!
Jesus disse: ''Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?'' S. Mateus 6:27. Você não cresce por tentar crescer. De fato, quanto mais se empenha em tentai crescer, menos você cresce. Se eu tivesse passado todo o meu tempo dependurado no suporte do varal, não só não iria nunca atingir os quase dois metros de altura, mas não demoraria muito para que atingisse dois metros debaixo da terra!
Ellen White escreveu à nossa igreja há muito tempo:
"As plantas e flores não crescem em virtude de seu próprio cuidado, ansiedade ou esforço, mas pelo recebimento daquilo que Deus forneceu para lhes servir à vida. A criança não pode, por qualquer ansiedade ou poder próprio, aumentar sua estatura. Do mesmo modo não podeis vós, por vossa própria ansiedade ou esforço, conseguir crescimento espiritual." – Caminho a Cristo, pág. 68.
Mesmo as criancinhas conhecem o princípio do crescimento. Você pode perguntar-lhes: "O que você prefere – comer ou crescer?" Não demorará muito para que surjam com a resposta certa. Se se empenharem em crescer não vão conseguir nenhuma das duas coisas. Se se empenharem em comer, alcançarão ambas.
Você está interessado em crescer espiritualmente? Você não poderá crescer centralizando sua atenção no crescimento. Provavelmente nada seja mais prejudicial ao crescimento espiritual do que estar constantemente se examinando para ver se produziu frutos. A maneira de crescer é comendo – participando do Pão da Vida e da Água da Vida. Experimenta crescimento mais rápido aquele que desvia a atenção do eu e se concentra no Sol da justiça. Torna-se anão quem passa a maior parte do tempo tentando crescer.
Muitas pessoas têm tido a idéia de que o nascimento espiritual vem de Deus, mas a vida espiritual é de sua própria responsabilidade.
"Muitos têm a idéia de que devem fazer sozinhos parte do trabalho. Confiaram em Cristo para o perdão dos pecados, mas agora procuram por seus próprios esforços viver retamente. Mas qualquer esforço como este terá de fracassar. Diz Jesus: 'Sem Mim nada podereis fazer.' João 15:5. Nosso crescimento na graça, nossa felicidade, nossa utilidade – tudo depende de nossa união com Cristo. É pela comunhão com Ele, todo dia, toda hora – permanecendo nEle – que devemos crescer na graça. Ele é não somente o Autor mas também o Consumador de nossa fé." – Idem, pág. 69.
É o seu alvo atingir "a medida da estatura da plenitude de Cristo"? Efésios 4:13. Você nunca poderá alcançar esse alvo dependurando-se em algum suporte de fio de varal espiritual. Não é possível crescer na graça por nossos próprios débeis esforços. O crescimento é um dom. É recebido mediante associação com Cristo, através da comunhão com Ele. A humanidade nunca poderá obter por si mesma aquilo que Deus prometeu dar.
Às vezes você se pergunta se está crescendo? Há uma maneira segura de sabê-lo. Observe se está comendo! O comer determina o crescimento todo o tempo.

CRESCIMENTO - TEMA 3
Os cristãos crescem mais firmemente reconhecendo suas fraquezas. Quando são fracos, aí é que são fortes.

André estivera tantas vezes na mesma situação crítica que até perdera a conta. O mesmo ocorrera com o médico, que agora se erguera abanando a cabeça, e olhando para o rosto barbado e os olhos avermelhados de André.
– Acho que não tem jeito, não é mesmo, doutor? – disse André.
– É, acho que não tem mesmo não.
– Então, que tal me dar mais um drinque, já que não faz mais diferença nenhuma.
– Muito bem, vou dar-lhe mais um drinque – respondeu o médico, surpreendentemente. – Mas primeiro quero que me faça um favor.
– Que favor? – perguntou André.
– No fim do corredor – respondeu o médico há um jovem que está aqui pela primeira vez. Eu perdi as esperanças quanto a você – mas ele ainda pode mudar. Quero que vá até o seu quarto e apenas permita que o veja – isso é tudo. Se ele o vir, talvez isso o assuste o suficiente para impedir que venha até aqui outra vez.
André concordou, e foi até o fim do corredor para encontrar o jovem indicado, que, a exemplo dele, tinha sido levado para o hospital para recuperar-se, depois de uma bebedeira.
A princípio, ele o fez apenas para obter mais um afinque. André, porém, começou a conversar com o rapaz.
– Não desperdice sua vida – instou com ele. Veja o meu estado. Perdi minha família e meu respeito próprio. Não tenho emprego nem amigos. Perdi a saúde e a reputação. Você deseja terminar assim?
– Nunca terminarei desse jeito – insistiu o jovem. – Posso parar de beber a hora que quiser.
– Isso é o que eu sempre pensava também – respondeu André. – Mas não é verdade. Eu não posso parar. Estou desamparado. A única maneira pela qual posso parar é se o próprio Deus me der força. E essa é a única maneira pela qual você será capaz de parar também. Você não pode ter o poder de controlar seu hábito de beber. Do contrário, não estaria aqui. Tem que aprender a depender de um Poder superior.
André voltou ao hospital muitas vezes, após aquele dia, mas nunca mais como um paciente. Jamais voltou ao médico para receber o prometido drinque. Voltava para falar com outros que para lá eram levados sob idênticas condições, lutando contra o alcoolismo. Foi o começo dos Alcoólicos Anônimos.
Os princípios que André descobriu em seu contato com o rapaz são a base dos Alcoólicos Anônimos. Cada pessoa deve chegar ao ponto de admitir que tem uma grande necessidade. É ensinado a começar dizendo, "Sou um alcoólico''. E é sempre lembrado de sua dependência de um Poder superior, se o problema tiver que ser mantido sob controle. Ao admitir e reconhecer a fraqueza encontra ele forças.
Cada um de nós pode fazer uma confissão semelhante. "Sou um pecador." Devemos reconhecer, como cristãos, que não crescemos por nos tornarmos cada vez mais fortes. Crescemos por reconhecer vez após vez cada dia, quão fracos somos e quão dependentes somos da graça de Deus. Foi isso que Paulo disse em II Coríntios 12:10: "Quando sou fraco, então é que sou forte."
"Quando temos a compreensão de nossa fraqueza, aprendemos a confiar num poder que nos não é inerente. " – O Desejado de Todas as Nações, pág. 368.
Esta verdade pode ser ameaçadora para pessoas fortes. Aqueles que acharam segurança em sua própria fibra e autodisciplina, que se sentem acomodados por seu bom comportamento, acham o pensamento da admissão de fraqueza, ofensivo. Mas aquele que é forte, ou pensa que é forte, não sente necessidade de um Salvador.
Admitamos ou não, reconheçamos ou não, cada um de nós é fraco. Somente ao nos tornarmos cônscios de nossas fraquezas, podemos ser levados a buscar poder fora e acima do nosso próprio.
"Nossa maior força é reconhecida quando sentimos e reconhecemos nossa fraqueza." – Testimonies, vol. 5, pág. 70.
Você se considera uma pessoa forte? Somente poderá ser forte de verdade ao achar força nEle. Considera-se fraco? Então há boas novas para você! Sua força se aperfeiçoa na fraqueza. Ver II Coríntios 12:9. Não importa quão forte pense ser, sua única força real advém de admitir sua fraqueza. Não importa quão fraco seja, você pode ser forte mediante Ele.

CRESCIMENTO - TEMA 4
Podemos todas as coisas mediante Cristo, que nos fortalece; mas, sem Ele, nada podemos fazer.

Durante uma aula na faculdade, estivéramos estudando o minicurso de justificação pela fé em Cristo somente. Tínhamos lido os dois textos, S. João 15:5 e Filipenses 4:13, segundo os quais sem Ele nada podemos fazer, mas com Ele podemos fazer tudo.
No processo da discussão, alguns estudantes se sentiram pouco à vontade com S. João 15:5. Um deles perguntou: "Se nada podemos fazer sem Cristo, isso não diminuirá nosso valor como seres humanos? Não somos criados à imagem de Deus? Não nos criou Ele com livre escolha? Não parece livre-arbítrio se não podemos realizar coisa alguma sem Ele."
Assim, fizemos questão de traçar a linha divisória entre sem valor e sem amparo. Conversamos sobre o fato de que, enquanto estamos ao desamparo, para produzir justiça, temos todo valor aos olhos do Céu.
Nesse ponto, um jovem no fundo da classe levantou a mão. "Por que, então, é tão fácil sentir-se sem valor, mas tão difícil sentir-se desamparado?'' perguntou.
Qual dos dois sentimentos lhe ocorre com mais frequência? Sem amparo ou sem valor? O diabo tem tomado cada verdade e, de algum modo, torcido, não tem? Deus diz: "Você vale tudo, mas à parte de Mim está desamparado." O diabo declara: "Você é sem valor. Mas faça esforço para mudar, e talvez de alguma forma, algum dia, você valerá algo."
Um dos temores mais freqüentemente expressos, no que tange ao tema da salvação mediante fé em Cristo somente, é o temor de que ele resulte numa religião de nada fazer. Muitas pessoas se preocupam quanto à aceitação de uma fé "passiva", que resulta em completa inação. Podemos considerar quão pouco conseguimos em todos os nossos anos de forte empenho em produzir justiça, e talvez concluamos que se deixarmos de lutar, nada conseguiremos, por fim.
Mas o reverso da medalha também é verdadeiro. Em vez de descobrir que o crescimento pára quando paramos de tentar crescer, descobriremos então que é somente então que o verdadeiro crescimento começa. Jesus não parou com Sua declaração em S. João I5:5, de que sem Ele nada podemos fazer. Ele também nos deu a boa notícia de que mediante Ele podemos fazer tudo.
O livro Ciência do Bom Viver apresenta isto deste modo:
"Não pode haver limite à utilidade de uma pessoa que, pondo de parte o eu, oferece margem à operação do Espírito Santo em seu coração, e vive uma vida inteiramente consagrada a Deus." – Pág. 159.
A Bíblia está repleta de histórias de pessoas que viveram em completa dependência de Deus. Elas eram passivas? Eram, quando se tratava de dependerem de sua própria força. Mas nunca se esqueça de quão ativa a passividade pode ser! Pois aquele que reconhece seu próprio desamparo e aceita o controle de Deus é quem Ele usa para realizar grandes feitos em Seu favor.
Faz já muitos anos, tenho estado reunindo histórias de pessoas da Bíblia, que fizeram coisas estúpidas! Lembra-se de Jônatas e seu escudeiro avançando sobre todo o exército filisteu? Que dizer de Josué que partiu para a conquista de Jericó caminhando em círculos o dia todo por uma semana? Ou ordenando que o sol se detivesse quando precisava de umas poucas horas adicionais para terminar certa batalha? Não era sábia estratégia militar que Gideão mandasse embora 99 por cento de seu exército, para depois atacar com cântaros vazios e tochas. Elias foi tolo ao despejar barris de água sobre o seu sacrifício no alto do Monte Carmelo, em vez de facilitar ao máximo as coisas para Deus. E, finalmente, Josafá indo para a batalha à frente do coro!
Se qualquer desses heróis bíblicos estivessem dependendo de sua própria força, em vez de dependerem de Deus, teria sido néscio ou suicida! Mas quando a fraqueza humana estava unida à força divina, Deus usou essas pessoas para realizar coisas impossíveis para Ele.
Quando Deus nos convida a colocar a dependência completa sobre Ele, quando nos pede que reconheçamos o nosso desamparo sem Ele, não está abrindo a porta para a inação. A vida controlada por Deus é a vida da mais elevada utilidade e serviço. E é a vida que dá evidência de crescimento e produção de frutos. Essa vida pode ser sua, se você tiver em mente que, sem Ele, nada pode fazer, mas que com Ele pode fazer tudo – e tê-Lo bem próximo, em comunhão pessoal e discipulado.